Levantamento recente do Portal da Transparência da Arpen-Brasil aponta um dado alarmante no Amazonas: entre 2016 e 2025, 66.240 crianças foram registradas apenas com o nome da mãe no estado. O número corresponde a 9,5% do total de nascimentos no período, percentual superior à média nacional, fixada em 7%.
Os dados indicam que a situação se intensificou no último ano. Somente em 2025, das 82.671 crianças nascidas no Amazonas, 8.200 — aproximadamente 10% — deixaram o cartório sem o nome do pai na certidão. Em todo o país, mais de 1,6 milhão de registros foram emitidos sem a identificação paterna na última década.
Diante do cenário, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) reforça ações para enfrentar o chamado “abandono documental” e incentivar o reconhecimento de paternidade. Por meio da campanha “Eu Tenho Pai”, o órgão oferece exames de DNA gratuitos e orientação jurídica tanto para reconhecimento voluntário quanto para investigação de paternidade.
Neste ano, a Defensoria ampliou a capacidade de atendimento da iniciativa. Ao todo, serão disponibilizadas 870 vagas, sendo 620 na capital e 250 em municípios do interior. O projeto também prevê atendimentos virtuais para pessoas com dificuldade de deslocamento ou que residam em localidades mais distantes.
A expectativa da instituição é facilitar o acesso ao direito à identidade e fortalecer os vínculos familiares no estado.